Arquivo de dezembro, 2011

Capoeirar, capoeirando

Publicado: 10 de dezembro de 2011 em Geral

Fazer uma escolha,
É, necessariamente, negar outra.
Pouca gente sabe, ele começou no kung fu.
Mas um dia, o menino quis aprender a dar “au”.
Desistiu de ser shaolim. Foi o som do berimbau.
Branca, será sempre sua roupa.
Hoje: Mestre de 2º grau.

Lá no começo, com Mestre Tarzan, na Beira Mar.
Alonga, treina, sem descansar.
Meia de lua de frente, sem perder o compasso.
Martelo, Armada, Desprezo, Resistência.
A cada cordão uma nova sequência.
À Benção, meu filho. O menino virou moço.
Seguiu a doutrina de Bimba com Mestre Geraldo Pescoço.
Mestre é mestre, professor-aluno, um eterno aprendiz…
Guarda os segredos, porém, jamais, nega explicação.
Ele sempre diz, às vezes, grita: a mão inteira!
A sagaz diferença entre o arrastão e a rasteira.

Na roda, no chão ou em pé…É jogo, e não aposta.
É dança com arte; pergunta e resposta.
Atenção à guarda e à base. Ele vê pelo espelho.
Mais um conselho: o joelho, contra a trairagem.
Simbiose de corpos. Sempre olhando para o adversário.
São os seus ensinamentos numa singela homenagem.
Parabéns Mestre Claúdio, por mais um aniversário.
E como você sempre diz que o aluno é o seu maior tesouro.
Finalizo esses versos, sem esquecer do Mestre Suassuna
Outrora Dandára, agora Cordão de Ouro.

Felicidades Mestre Claúdio.
27 anos de capoeira sem envergar.
Campinas – SP. 12/12/2011

Bodas pérola

Publicado: 9 de dezembro de 2011 em Geral

Há mais de um mês, fui imbuído desta tarefa. Escrever uma mensagem em homenagem a bodas de pérola dos meus pais. A primeira reação, assim como a bebê que acaba de nascer e, instintivamente, explode em pranto, foi dizer “não”. No entanto, tratava-se de uma negativa transitória. Pois, desde sempre, soube que esta missão, a das palavras, cabia a mim. Jamais por incompetência do meu irmão. À ele lhe dirigo a sábia definição das Leis de Manu que se referem ao filho primogênito como “aquele que é gerado para o cumprimento do dever”. Neste quesito, o faz, e muitíssimo bem. Já meu caso, confesso, como notívago que sou, que me custaram muitas madrugadas, verdadeiras noites de insônia. São apenas palavras; singelas palavras. Mas, nunca quis refutar-me de pensá-las, escrevê-las, proferi-las. E aqui nos deparamos…
Neste instante, faço, no meu discurso, uma parafrase com o clássico livro “A Cidade Antiga”, do escritor Fustel de Coulanges, que nos fala de um tempo antigo; um tempo longuínquo, anterior aos filósofos da antiguidade clássica. Uma época de outrora, donde as sociedades encaravam a morte não uma aniquilação do ser, mas como simples mudança de vida. Neste passado remoto, a primeira instituição estabelecida pela religião doméstica foi, de fato, o casamento. Esta religião ensinou ao homem que a união conjugal é bem mais que a relação de sexos ou o afeto passageiro, unindo os dois esposos pelo laço poderoso do mesmo culto e das mesmas crenças. É o consumir do bolo junto à récita de orações, em presença e sob os olhares das divindades da família, que consagra a união santa entre esposo e esposa. O casamento é, pois, para a moça, um ato de muita gravidade, e não o é menos para o esposo; esta religião exige que se tenha nascido junto do fogo sagrado para se ter o direito de sacrificar a ele. E no entanto, o rapaz introduzirá uma estranha em seu lar; juntamente com ela, desempenhará as misteriosas cerimônias de seu culto, revelando-lhe os ritos e as fórmulas, seu patrimônio de família. Nada mais precioso que esta herança: estes deuses, ritos e hinos, recebidos de seus pais, que o protegem na vida e lhe prometem a riqueza, a felicidade e a virtude. Contudo, em vez de guardar só para si esse poder tutelar, uma vez que o selvagem retém junto de si o ídolo ou o amuleto, admitirá uma mulher para com ela partilhar desses bens.
Ele, um rapaz magricela, sem pêlos na cara, das terras de Nossa Senhora Santana. Santana dos Olhos D’Água. Ela, uma morena de pele lisa, autoconfiante, das bandas da já emancipada Santa Bárbara, outrora Pacatu.
É literalmente uma união santa. Mas o que aquele feirense, Luisinho, filho de Seu Ângelo alfaite, falou para aquela barbarense, Gracinha de Verônica, do beco. Não sabemos. E nem queremos saber. O íntimo lhes reserva o direito de guardar para si sua própria história de amor. Nem sempre aquela história de amor recheada de peremptórios beijos no parque; num fim de semana qualquer; jogos de sedução, troca de olhares, mal-me-quer, bem-me-quer. Ainda assim, mais que amores e dissabores, rotina, problemas cotidianos e a arte sútil da convivência, onde nem tudo são flores, eles construíram algo maior. De fato, nestes mais de 30 anos juntos, eles constituíram uma coisa chamada família.
A língua grega antiga tinha uma palavra bastante significativa para designar a família; chamava-lhe epístion, o que literalmente significa: aquilo que está junto ao fogo. A família era pois um grupo de pessoas a quem a religião permitia invocar os mesmos manes, as almas dos entes queridos falecidos, e oferecer o banquete fúnebre aos mesmos antepassados.
Mais uma vez, faço uma digressão até o dia-a-dia dessas antigas gerações as quais já me referi no início deste discurso. Encontraremos um altar em cada casa e, em volta desse altar, a família reunida. A cada manhã, a família ali se reúne para dirigir ao fogo sagrado as suas primeiras preces, e toda noite ali o invoca mais uma vez. Durante o dia, junto dele comparece para dividir piedosamente o repasto, depois da oração e da libação. Em todos os seus atos religiosos a família canta em conjunto os hinos que seus pais lhe legaram. Fora de casa, em campo vizinho, o mais próximo possível de casa, existe um túmulo. É a segunda morada dessa família. Aqui repousam em comum várias gerações de antepassados que a morte não separou. Continuam juntos nesta segunda existência, formando uma família indissolúvel. Referimos aqui um dos caracteres mais notáveis da família antiga. A religião, ao formar a família, exige-lhe imperiosamente a sua continuidade. Família desaparecida é culto morto.
É fato, constituir, formatar, manter coesão e unidade à instituição família é uma das experiências maiores e mais desafiadoras da vida humana. É a indecifrável tentativa de perpetuar-se na existência; justamente, legando aos seus, do agora e das gerações futuras, próximas, a perspectiva de um porvir inédito, amparados num culto a um passado de boas lembranças e duradouras glórias.
Todavia, ainda ecoa a inquietação, em nós filhos, em descobrir quem são esses seres. O que é ser Pai e Mãe? A resposta, também já sabemos, desvendar-se-a quando crias tivermos. Quando pusermos neste mundo um pupilo; aí, já nos encontraremos no outro vértice desta equação, que é própria disto tudo que denominamos vida.
O que sabemos é que os pais são nossos espelhos, que tentam melhorar a si mesmo, sua própria (auto)imagem, só que projetada em outro ser, no caso em nós, filhos. Certamente, por isso lhes é dado o direito de também fazer muitas escolhas por nós. Às vezes, e sempre usam isso como justificativa para nos defender, eles se projetam de tal forma em nossos corpos, almas, vontades, desejos e sensações na tentativa de evitar que cometamos os mesmos erros, os quais eles já cometeram. E até os dias derradeiros, os nossos pais serão aqueles os quais, aconteça o que acontecer, vão estar sempre ao nosso lado, rindo nosso riso, chorando, e principalmente, enxugando, nosso pranto.
Os pais, eu sei, primeiro nos ensinam a caminhar, para depois nos darem asas; já sabendo que, como bichos alados, vamos voar, até depois do horizonte, se possível. E nos ensinam também que tudo tem seu tempo, seu momento, sua hora. A precipitação é o gatilho dos afoitos. Mas quando aquele instante materializar-se, perfazer-se, saberemos, sentiremos, e, portanto, devemos estar preparados, é a nossa chance. Chegou a nossa vez, por isso, façamos valer a pena. Assim, nos ensinam a usar unhas, dentes; e nos alertam que teremos um dia que derramar nosso súor e sangue. É próprio da peremptoriedade da vida esta viagem louca, às avessas, onde os pais veem os filhos crescerem, ganharem anos e perspectivas; enquanto o peso do tempo lhes presenteia com sabedoria e madureza, perdem a pureza e a inocência
Ainda assim, vos digo que o pai e a mãe que tenho, e que me tiveram, são em sua essência provincianos, interioranos. Outra vez, insisto nesta ideia, quiças, para constatar o quanto, bem no fundo das suas almas, ainda permanece aquele aura, instrínseca, de tabaréu. Isso mesmo, tabaréu, da roça. Infância e adolescência pobres, onde a escassez era, por vezes, substantivo real; e a linha tênue entre a satisfação básica e a necessidade imediata lhes ensinou a dar muito mais valor a tudo. De certo, o que mais aprendi a valorizar é, exatamente, essa origem humilde, esse cheiro doce de simplicidade; é degustar e saborear a fartura, enaltecendo a vitória, sem olvidar da privação e da carência, felizmente, uma realidade superada. E, isso, com certeza eles conseguiram perpertuar aos seus. Porque como profecia o velho ditado “quem herda, não furta”. De fato, não tinham nada, de material, para oferecer um ao outro. E na modéstia e singeleza do seu nada, somados, eles conseguiram construir tudo, juntos. Inclusive toda esta família, que esta aqui reunida em sua homenagem, brindando os seus louros, prestigiando a renovação dos seus votos.
Por fim, lhes digo que meus pais são minha fortaleza, meu castelo medieval; são meu barco-guia, meu porto-feliz, meu farol, meu cais. Lhes dedico Amor incondicional. Orgulho infinito. Meus pais, eu sei, desde pequeno, criaram os filhos para o mundo. Uma verdade real, por vezes, dita e repetida num momento preciptadamente de rancor ou consternação. Talvez, já sofrendo antecipadamente daquele saudosismo ingrato, ao prever que a cama permanecerá vazia e fria, até as próximas férias ou, porventura, um fugaz feriado e que serão as mesmas velhas fotos, posicionadas no mural do quarto. O silêncio da casa grande deve lhes causar um absimo capaz de renunciarem a qualquer coisa para reviver aquela fase longa, mas não perpétua, de múltiplas vozes e sons que compreende a infância-aborrecência. Meu pai, com certeza, voltaria no tempo para ser incomodado na sagrada rotina, com aquela proposta de companhia, forçada, mas no fundo desejada, para um show ou festival de rock n’ roll, regado a roupas pretas e letras incomprensíveis que insandeciam seus ouvidos. A minha mãe, assim como outras mulheres, particularmente, abdicariam de tudo que conquistaram, viveram e vivenciaram para nos ter outra vez ali, na proteção e no calor dos ventre, pelos mágicos nove meses.
Finalmente, meus pais, eu sei, deram aos filhos, o simples direito de escolha. Porque há muitas estradas, mas um único caminho. Jamais quiseram ter filhos unicamente criados e crescidos na sua própria aldeia; assim, nos ensinaram que o sol também brilha além do próprio umbigo, e que podemos, e devemos sair em busca da vida, jogar-se por inteiro, incansavelmente, atrás desta tal felicidade. E fizeram, e ainda fazem, tudo que tem que ser feito. Pois, desejaram sim, que seus filhos fossem caputi mundi, cabeça do mundo. Cidadãos-pensantes. Dotados de discernimento para se posicionarem e se expressarem como seres humanos nesta tal realidade. E os meus pais tiveram êxito, só e simplesmente por me fazer, bem lá no fundo, no âmago, uma pessoa capaz de relacionar-me com o semelhante, sem enxergá-lo como outro, mas sim como igual; nem mais, nem menos.
Me despeço com um muitíssimo Obrigado Pai e Mãe por existirem. E por nos ensinar que TER é importante, mas que SER é E-S-S-E-N-C-I-A-L. Porque, quem “tem” pode adquirir, comprar e também se desfazer simplesmente daquilo. Ao contrário de quem “é”; que “é” esta dotado de personalidade própria, e pode desenvolver, inteiramente e integralmente, a completude do seu ser.

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Viver: improvisar improvisando

Publicado: 1 de dezembro de 2011 em Geral

Eu ja cansei de ficar de dando mole
O sábio ditado nunca é lembrado.
Agora sou eu quem escolhe.
Ja cansei de dar sopa = marcar touca.
Voce nao representa nada mais que aquilo, intenso, e sem roupa
Ja cansei de ficar ligando
Corre atras que a fila esta andando

SEXTA FEIRA .,LP; SAIDA

Publicado: 1 de dezembro de 2011 em Geral

Com você, eu brinquei com fogo
Quando outrora me dissera
Para não arriscar-se numa doce quimera.
Afinal, (sobre)vivo cada dia.
Eu respondi, prontamente, que sabia quem eu era.
Quem me dera.
Com você, eu zombei do perigo
Agora, ja é tarde para ser só seu amigo
Com você, a sublime fadiga
Roupas: da pressa, inimiga!
Barriga com barriga. Suor. Mordida
Assim, você me deixou, só.
Tropeçei parado, numa esquina.
O coração de sobressalto deu um nó.
Rotação e translação implacáveis.
Amigos, familia. mudança de rotina.
Ainda ecoa seu nome; mas, é no íntimo, na surdina.
Eu-mesmo e Amor-próprio: sentimentos indissociáveis
Por você, eu quis abdicar da vida.
Teatro do tempo para fechar a ferida.
Humanidade virgem. Vontade louca.
Deseducada. Não à moderação. Sem maneira.
Feliz #felicidade: Sexta-feira!

À punho próprio

Publicado: 1 de dezembro de 2011 em Geral

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Pare com essa mania.
De ler, todo dia,
as preces que
lhe reserva o zodíaco.
Deixe de ser maníaco,
por vezes, apegar-se
ao que beira o ridículo.
Assim,
construa um pensamento
mais edílico.
Destarte, te explico:
Exercite sua caligrafia.
Sem limite ao restrito.
Mas não esqueça:
Respeite à ortografia!
Não importa se é
rima pobre ou rica.
Materializa-se a
singela dica.
Sacuda o neurônios
desta monotonía.
Crie,
invente sua
própria poesia.